Guia por vertical
NR-1 por setor
Como a NR-1 atualizada se aplica a 30 setores da economia brasileira: riscos psicossociais típicos, normas conexas, evidências aceitas em fiscalização e frequência mínima recomendada de diagnóstico.
Resposta direta
A NR-1 vale para qualquer empresa com empregados CLT, mas o que muda entre setores é o conjunto de fatores psicossociais prioritários, as normas conexas (ex.: NR-32 saúde, NR-17 anexo II call center, NR-31 rural) e a forma de coletar evidência aceita pela fiscalização.
Construção civil
A construção civil combina alta exposição a riscos físicos com pressão de prazo, rotatividade elevada e cadeia de subcontratação. A NR-1 atualizada exige que fatores psicossociais entrem no PGR junto com riscos ergonômicos e de segurança.
Saúde, hospitais e clínicas
Hospitais, clínicas e operadoras têm exposição estrutural a sofrimento, jornada extensa e responsabilidade ética. CATs por adoecimento mental são frequentes, e o setor é prioritário em fiscalizações pós-pandemia.
Indústria de transformação
Linhas de produção, turnos e metas industriais geram fatores psicossociais bem documentados. A combinação com NR-17 (ergonomia organizacional) é obrigatória.
Educação básica e superior
Escolas e universidades acumulam jornadas duplas, baixa autonomia pedagógica e exposição a conflito. Adoecimento docente é um dos mais documentados na literatura brasileira.
Varejo e comércio
O varejo combina alta rotatividade, metas agressivas e exposição direta ao público. Sazonalidade (Black Friday, Natal) gera picos de risco psicossocial.
TI, software e tecnologia
TI tem cultura de hiperprodutividade e baixa adesão a SST tradicional. CATs por burnout cresceram fortemente nos últimos anos no setor.
Logística, transporte e armazenagem
Motoristas, entregadores e operadores logísticos têm exposição combinada de risco físico e psicossocial. CDs grandes são alvo de fiscalização frequente.
Agronegócio e agricultura
O agro tem mão de obra dispersa, dificuldade de acesso a serviços de saúde e cultura de jornada longa em safra. Programas precisam ser presenciais e em linguagem acessível.
Bancos, seguradoras e fintechs
Setor financeiro tem alta judicialização por adoecimento mental e assédio moral. CCT bancária reforça obrigações específicas.
Call center, telemarketing e SAC
Setor com NTEP automático para diversos CIDs psiquiátricos. CATs e ações trabalhistas por adoecimento mental são frequentes.
Administração pública e estatais
Servidores públicos e empregados de estatais têm regime jurídico próprio mas a NR-1 se aplica integralmente a empregados celetistas. Setor com forte demanda de programas estruturais.
Restaurantes, bares e food service
Setor com alta rotatividade, jornada noturna e cultura tradicional de pressão em cozinha. Demanda atenção a assédio moral e sexual.
Hotelaria, turismo e eventos
Setor sazonal com forte exposição a demanda emocional e jornadas atípicas. Equipes de housekeeping e front-desk têm padrões de risco distintos.
Energia, óleo e gás
Plataformas, usinas e refinarias têm regimes de embarque/desembarque, isolamento e responsabilidade crítica. Setor maduro em SST clássica, ainda incipiente em psicossocial.
Consultoria e serviços profissionais
Consultorias estratégicas, jurídicas, de auditoria e de TI têm cultura de alta performance que tradicionalmente normaliza adoecimento. Mudança em curso após casos públicos.
Escritórios de advocacia
Escritórios médios e grandes têm padrão histórico de alta carga e cultura hierárquica. Adoecimento mental em advocacia é tema crescente em pesquisas brasileiras.
Segurança privada e vigilância
Vigilantes têm exposição combinada a risco de vida e isolamento. Setor regulado pela Polícia Federal com forte componente de saúde mental.
Limpeza, facilities e terceirizadas
Trabalhadores alocados em sites de clientes têm dupla pressão (empregador formal + tomador). Setor frequentemente excluído de programas psicossociais — atenção à NR-1.
Transporte por aplicativo e gig economy
Embora o vínculo trabalhista esteja em discussão jurídica, plataformas com modelo formal CLT precisam cumprir NR-1 integralmente. Tendência regulatória aponta para inclusão.
Mídia, jornalismo e comunicação
Jornalistas e profissionais de comunicação têm exposição direta a sofrimento alheio e cobrança de produtividade contínua. Setor reconhecido internacionalmente como alto risco psicossocial.
Mineração e extração
Operações de mina e usinas de beneficiamento combinam isolamento geográfico, jornadas atípicas e responsabilidade por riscos catastróficos. Pós-rompimentos, o setor está sob lupa regulatória.
Telecomunicações e operadoras
Operadoras móveis, ISPs e provedores combinam call center, campo e operação 24/7. Mudanças tecnológicas e fusões geram instabilidade percebida pelos times.
Saneamento e utilidades
Companhias de água, esgoto e resíduos lidam com risco operacional grave somado a obrigação de continuidade do serviço público. Estresse crônico em equipes operacionais é alto.
Imobiliário e incorporadoras
Imobiliárias e incorporadoras têm modelo comercial agressivo com forte componente emocional. Corretores autônomos exigem cuidado para identificar quem está sob CLT.
Indústria automotiva e autopeças
Montadoras e cadeia de autopeças têm cultura industrial madura, mas a transição para elétricos e automação cria insegurança no chão de fábrica.
Farmacêutico e ciências da vida
Indústria farmacêutica e propaganda médica combinam alto rigor técnico, regulação intensa (Anvisa) e pressão comercial. Adoecimento em times de venda e P&D é crescente.
E-commerce e marketplaces
E-commerce combina operação logística intensa com cultura de tecnologia hiperprodutiva. Datas comerciais geram picos previsíveis de risco psicossocial.
ONGs, fundações e terceiro setor
Equipes de ONG, fundações e organizações sociais têm engajamento alto com a missão, o que mascara sobrecarga e adoecimento. Risco psicossocial é estrutural mas pouco tratado.
Siderurgia e metalurgia pesada
Siderúrgicas operam 24/7 com forte exposição a ruído, calor e turnos. Cultura tradicional dificulta abertura para temas de saúde mental.
Papel, celulose e bioenergia
Setor combina indústria pesada e operação florestal, com bases em municípios pequenos onde a empresa é principal empregador — adoecimento tem impacto comunitário direto.